Saúde mental na quarentena: dicas práticas

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Uma crise sem precedentes trouxe uma preocupação mundial — o novo coronavírus, por conta da facilidade de seu contágio e risco de complicação e morte, obrigou as pessoas a ficarem em casa. Uma situação totalmente nova que traz um alerta: é preciso cuidar da saúde mental. O medo da doença, além de todas as mudanças provocadas no cotidiano, é um cenário que pode gerar angústia, ansiedade e pânico.

Dado o contexto, como é possível lidar da melhor forma com toda essa situação? O que deve ser feito para passar bem esse período de confinamento? Com o objetivo de esclarecer essas e outras questões, conversamos com a psicanalista Kátya Muniz.

Continue a leitura, entenda os fatores que podem desencadear crises na quarentena, além de dicas práticas para cuidar da saúde da mente.

Por que se preocupar com a saúde mental em tempos de pandemia?

A Covid-19 e a necessidade de isolamento social trouxeram uma preocupação sobre nossa saúde mental. Esse é um aspecto, no entanto, que temos de nos preocupar, independentemente da pandemia e de estarmos diante da ameaça de um vírus.

“Estamos vivendo uma crise e uma mudança brusca e abrupta em todo o planeta, que gera muitas incertezas, dúvidas, medos e ansiedades. É um evento que muda nossos hábitos completamente. Mas temos que cuidar de nosso mundo interno sempre”, alerta Kátya Muniz.

Quais os principais gatilhos que podem desencadear crises neste período?

Ficar em casa para evitar a contaminação com o novo coronavírus acarretou mudanças em vários aspectos da vida das pessoas, como não ter o contato social. Outra questão é a trabalhista, exigindo o home office e o contato com superiores e equipes por reuniões online, o que não era comum para muitas empresas. O confinamento afeta ainda as relações entre casais e familiares, que ficam em convivência o tempo todo, algo que não ocorria antes.

Há também os impactos psicológicos e emocionais, pois se vive em uma sociedade capitalista, que impõe às pessoas estarem em movimento, a não parar, a consumir e a produzir o tempo todo. Segundo a psicanalista, é uma sociedade que nos obriga a viver “para fora”, como se não fosse permitido parar e refletir sobre o nosso mundo interno.

Crises de ansiedade, angústia e de pânico

Existem também fatores que podem desencadear ansiedade, visto que se trata de um momento de grande incerteza. Podem ainda gerar crises de pânico pelo medo imediato de ficar doente, de morrer ou de perder algum ente querido.

Eventuais crises de angústia podem surgir também não só pelo medo, mas pelo fato de a pessoa estar em casa durante muito tempo, pela inadaptação ao home office ou ainda por ficar um longo período ocioso. Crises podem ser desencadeadas ainda por que a pessoa está muito tempo solitária no caso de quem mora sozinho.

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Reflexões sobre questões internas

Kátya acrescenta ainda que muitas pessoas não têm o hábito de refletir sobre questões e conflitos internos. Segundo a psicanalista, com o isolamento, elas se voltam para esse mundo interno, repensando a própria vida, o que também pode gerar crises de angústia.

Como lidar com as crises de ansiedade ou pânico durante o isolamento social?

Confira a seguir algumas dicas práticas para cuidar da saúde mental no isolamento social:

  • aproveite o momento e realize coisas que sempre desejou e nunca teve tempo de fazer;
  • evite ideias pessimistas;
  • lembre-se sempre de que o medo é ilusório, para não se deixar dominar por isso;
  • mude o padrão mental — faça um exercício que ajude a ter pensamentos positivos;
  • realize atividade física, pois ao colocar o corpo em movimento, você libera endorfina que traz uma sensação de bem-estar;
  • preste atenção na respiração — faça meditação ou yoga;
  • descubra novas habilidades que você nem sabia que existia;
  • faça trabalhos criativos, como jardinagem, pintura e outros;
  • participe de ações de solidariedade sem sair de casa;
  • desenvolva uma relação de qualidade com os filhos — realize brincadeiras, conte histórias ou invente outras atividades;
  • tenha o pensamento voltado para o presente, procurando se concentrar em cada atividade que faz e vivendo um dia de cada vez;
  • participe de reuniões virtuais com familiares e amigos para manter o contato, mesmo à distância.

“Apesar de ser um momento de grande incerteza, é também um período que convida para a reflexão, de modo a pensarmos em questões psíquicas importantes e em nosso estilo de vida. É uma grande oportunidade de aprendizado”, completa a psicanalista.

É necessário ainda que as pessoas que já faziam terapia continuem com esse apoio, mesmo online. No caso de quem tem ataques de pânico, em um momento de crise, a dica é, se possível, procurar profissionais da psicologia que atendem voluntariamente por telefone.

Como cuidar da saúde mental após a quarentena?

De acordo com Kátya, muitas pessoas têm ou terão algum transtorno psicológico por conta do isolamento, principalmente as famílias que perderam um ente querido e não puderam enterrá-lo por risco sanitário. Por não ter tido os rituais de despedida, podem sofrer com complicações no luto, o que pode gerar transtornos no futuro.

“É importante, nessa situação, fazer orações com a família, realizar algum movimento que representa o ritual do velório, para que se faça alguma homenagem de despedida ao ente querido”, orienta a psicanalista.

Além disso, depois da pandemia, é interessante que as pessoas busquem ajuda psicológica, se necessário, e continuem com os hábitos da época do isolamento. Tais rotinas incluem atividade física regular, ter pensamentos positivos e manter as habilidades criativas e lúdicas desenvolvidas em casa. “Reservem ainda um tempo de reflexão sobre seu mundo interno”, finaliza Kátya.

O mundo todo estava despreparado para enfrentar a Covid-19 e cumprir medidas de isolamento social, imprescindíveis na contenção da rápida contaminação por esse vírus. Com tantas mudanças de hábitos, dúvidas, medos e incertezas, é preciso ter uma atenção especial à saúde mental. Em meio a tudo isso, tenha a certeza que essa é só uma fase, ou seja, que vai passar.

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